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Ônibus: problema sem fim

Novo secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, anuncia readequação de linhas, que servem a periferia

Para tirar do sufoco quem depende de ônibus e microônibus na Capital, o novo secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, promete começar as mudanças pelos extremos. As alterações anunciadas ontem prevêem a 'readequação das linhas' que atendem a periferia. A área selecionada para iniciar o processo é a campeã de reclamações: a Zona Sul, de onde vem 11% das 4.900 queixas mensais recebidas pela São Paulo Transporte (SPtrans).

'A questão mais importante é uma readequação das linhas de ônibus. Os técnicos já avaliaram que não é necessário ampliar o sistema viário ou o número de quilômetros rodados pelo transporte público', afirmou Moraes.

O novo projeto não é tão inédito. A proposta é fazer com que as cooperativas (vans e lotações) atendam os percursos feitos em um mesmo bairro, em trajetos mais curtos. Já os ônibus maiores serviriam para ligar áreas diferentes, dos terminais até o Centro, mudanças já anunciados na gestão Marta Suplicy e por Frederico Bussinger, antecessor de Moraes na gestão de Gilberto Kassab.

Segundo Moraes, as divisões de itinerários não se concretizaram de forma total porque muitos 'adendos na legislação foram assinados' pelos empresários.'São aditivos que foram temporários, previstos para a readequação (das empresas) às mudanças. O prazo (para a adequação) venceu, o que vai permitir a reestruturação.'

O vice-presidente do Sindilotação, Senival de Moura, acha que a reestruturação das linhas da periferia não deve ser prioritária. 'Já passamos por uma readequação há dois anos e não acredito que hoje haja uma sobreposição das linhas. Mas queremos ser chamados para ouvir as propostas.'

'Desde que a secretaria garanta a sobrevivência das cooperativas com as mudanças, nós seremos parceiros do poder público', afirmou Luiz Carlos Pacheco (o Pandora), responsável pela Cooper Pan, a maior empresa de lotações da Zona Sul. 'Mas nós precisamos participar das mudanças, até para opinar sobre o que precisa ser feito.'

Segundo a SPtrans, a principal reivindicação dos moradores da Zona Sul é o grande intervalo entre os ônibus. Na manhã de ontem, a reportagem foi até a região apontada como a mais problemática e constatou o inferno diário de quem depende de ônibus e microônibus para se locomover. As longas filas precedem a dificuldade em garimpar um assento ou até mesmo em achar um lugar para se segurar. Dentro do Terminal Vargem Grande, cerca de 80 pessoas esperavam o ônibus para Santo Amaro, o mais cheio. Quem se dispunha a viajar em pé saía mais rápido: até 15 minutos. Os que queriam um assento precisavam aguardar mais tempo. 'Leva uns 50 minutos. Tem de esperar uns 5 ou 6 ônibus', disse a metalúrgica Ivanilda Serra de Souza, 38 anos.

Na Avenida Guarapiranga, o frio de 12 graus deixava a espera ainda mais difícil. Os usuários das linhas para Jabaquara, Ana Rosa, Pinheiros, Santa Cruz e Centro reclamam da demora nos pontos. Às 5h, a Parada Francisco Xavier já estava cheia.'Pego o Jabaquara, que vem sempre muito cheio. Às vezes fico até meia hora esperando, mas o ônibus passa lotado e não consigo pegar', conta a porteira Joana Alves, 49 anos.

EM NÚMEROS

>15 mil é total da frota de ônibus e micro ônibus

>5,5 milhões de passageiros utilizam esse tipo de transporte todos os dias
na Capital 800 mil pessoas utilizam as linhas da Cooper Pan

>180 mil usuários passam pelo Terminal Varginha, na Zona Sul da Cidade, diariamente



Escrito por Eduardo às 10h54
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